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17.12.2008 - 21:46

Natal na literatura

E no embalo do espírito natalino, a Gerência Operacional de Literatura e Editoração (GOLE) da Fundação de Cultura da Prefeitura do Recife lança, nesta quinta-feira (18), a coletânea  “Recife conta o Natal II”. O evento acontecerá dentro da programação do projeto Porto das Letras e terá início às 17h na Av. Rio Branco no 76 – bairro do Recife .

O livro reúne textos de iniciantes e nomes mais consagrados, como Fernando Monteiro e Luzilá Gonçalves Ferreira.  Ao todo, 12 escritores participam da obra. A GOLE é comandada por Heloísa Arcoverde.

16.12.2008 - 23:57

Para uma geração de leitores

Em um país onde, para muitos e em especial para um importante brasileiro, ler é um tremendo sacrifício, toda a iniciativa que gere estímulo à leitura deve ser aplaudida. Se acompanhada do fomento ao gosto pela escrita e pela publicação em livro daquilo que se escreve, mais elogio merece. Quando então o público-alvo é composto por alunos de um 1º. ano de ensino fundamental, crianças com idade média de 06 anos em fase de aprendizagem do ato de ler e escrever, entendo que este registro é o mínimo.

Falo, amigos, da ação da professora Sandra Cristina de Lima Brito e da equipe do Colégio e Curso Evolução que coordenou a publicação do livro “Histórias da Minha Turma” em parceria com a Edições Bagaço.

O livro foi lançado no sábado (13) e reúne as primeiras narrativas de vinte e uma crianças, todas alunas da Profa. Sandra. O objetivo fundamental foi contribuir com o processo de alfabetização. A capa, escolhida por meio de um concurso, é ilustrada por um desenho da aluna Maria Vitória de Alencastro Fossá, uma das autoras do livrinho.

Aos idealizadores e pequenos(as) autores(as), parabéns!

(Marcelo Sandes)

16.12.2008 - 21:58

Onde os juros não têm vez

Da BBC Brasil

Fed reduz juros nos EUA ao menor nível já registrado

O Fed (Federal Reserve Bank, o Banco Central americano) anunciou nesta terça-feira a redução da sua taxa básica de juros de 1% ao ano para entre zero e 0,25%, o mais baixo patamar já registrado desde que os dados sobre a taxa começaram a ser compilados, em 1954.

O corte foi maior do que o esperado por muitos economistas, que previam uma redução de meio ponto percentual, e reflete a preocupação da autoridade monetária americana com a possibilidade de um prolongado período de dificuldades econômicas nos Estados Unidos.

A taxa é cobrada pelos bancos quando realizam empréstimos uns aos outros, usando reservas que têm guardadas em um banco distrital do Fed. Reduzindo esses juros, o Banco Central americano procura incentivar esses empréstimos, o que aumentaria a liquidez no mercado e, consequentemente, daria impulso à economia.

O Fed vêm cortando a taxa de juros desde agosto, quando ela estava fixada em 5,75%. O último corte, de 0,5 ponto percentual, havia sido anunciado em 29 de outubro.

O resto aqui

 

16.12.2008 - 12:43

Uma outra visão sobre as sapatadas em Bush

Amigos,

Do Blog do economista e professor universitário Adolfo Sachsida:

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Bush e a Sapatada
 
O mundo parece ter adorado o evento dos sapatos atirados no Presidente Americano George W. Bush. Eu interpreto o ocorrido sob um prisma diferente: nunca vi nenhum jornalista atirar sapatos em Saddam Hussein. Aliás, tivesse o nobre jornalista atirado sapatos em Saddam Hussein e já teria sido fuzilado. Mas agora, desfrutando da liberdade propiciada pela ação americana, atirar sapatos no Iraque já não é tão perigoso assim. Interessante notar como as pessoas, e a imprensa, deixaram esse fato passar despercebido.

Os sapatos atirados em Bush são a prova definitiva de que o Iraque está melhor hoje do que há 10 anos atrás. Dada a antiga força de Saddam Hussein, e as recentes altas nos preços do petróleo, seria de se esperar que a ditadura de Hussein durasse ainda muitos anos. Foi graças a interferência americana, liderada por Bush, que hoje o Iraque desfruta de liberdade. Liberdade até para atirar sapatos nos outros.

A maioria de nós é incapaz de compreender um fato histórico: liberdade não é o estado natural da humanidade. O normal é a ditadura, a opressão e a escravidão. Mesmo na antiguidade clássica a escravidão era a norma. Gregos e romanos escravizaram várias civilizações; no mundo oriental a escravidão também era fato corriqueiro. O novo mundo também não teve problema algum em aceitar escravos. Foi apenas ao final do século XIX que a palavra liberdade começou a ganhar o sentido pelo qual a conhecemos hoje.

Defender a liberdade não é isento de custos ou sacrifícios. Defender a liberdade é uma tarefa contínua e custosa. Defender a liberdade chega mesmo a ser uma tarefa ingrata em alguns momentos. Mas defender a liberdade é equivalente a defender o nosso direito à existência. Se permitirmos que nos usurpem esse direito, estamos desistindo também do nosso direito à vida. Hoje o Iraque é um lugar muito melhor de se viver do que há 10 anos atrás por um motivo simples: hoje o povo iraquiano tem mais liberdade, tem mais capacidade de exercer seu sagrado direito à liberdade de escolha. Gostem disso ou não, esse foi um bem gerado ao povo iraquiano por George W. Bush, pelas tropas americanas e por seus aliados no Iraque.

14.12.2008 - 23:12

A torre Malakoff, do Recife Antigo

É sempre interessante ler jornais antigos e, ainda mais, os textos do jornalista pernambucano Mário Melo. Em 16 de outubro de 1955, na coluna abaixo, publicada no Jornal do Commercio de Pernambuco, ele fala sobre o centenário da famosa torre Malakoff, monumento do Bairro do Recife.

Segue com o texto original (incluindo as diferenças na língua):

(Renato Lima)

Jornal do Commercio – domingo – 16 de outubro de 1955
O centenário da tôrre Malakoff

Estamos no ano do centenário da monumental tôrre do extinto Arsenal da Marinha, geralmente conhecida pelo nome de Malakoff.

Sei que foi concluída em 1855. O dia de sua inauguração deve constar dos arquivos da Marinha, aqui ou no Rio de Janeiro, para onde teria sido levado talvez o daqui, quando extinguiram o Arsenal.

Se não teve a tôrre a sorte do Arco do Bom Jesus, que lhe ficava próximo, da igreja do Corpo Santos e dos Arcos de Santo Antônio e da Conceição, deve-o Pernambuco à luta tenaz e persistente do Instituto Arqueológico, para eviar a destruição a que fôra condenada.

A 11 de Junho de 1930 respondia o Ministro da Viação ao veemente apêlo do Instituto, que infelizmente era tarde para providenciar a permanência da tôrre.

Felizmente poucos dias depois aqui esteve o Ministro da Marinha, almirante Pinto da Luz, que prometeu à diretoria do Instituto interessar-se junto a seu colega da Viação para sustar a ordem de arrasamento, empenhado que também o era na conservação, visto tratar-se de edifício naval. E o tempo se foi passando e veio a revolução de Outubro e a tôrre não foi e possivelmente nunca será demolida.

Perdeu em parte sua imponência, porque, com a construção dos inestéticos arranha-céus, deixou de ser o edifício mais alto da Cidade. Mais ainda lhe dá, na parte da península, a feição característica que vem mantendo nestes cem anos.

Na luta por sua conservação, estudando-a, perquirindo-a, tive a felicidade de descobrir a origem do nome, que todos atribuíam ao do relojoeiro que fabricara seu colossal relógio.

Consegui saber que êste é de marca inglesa, armado em 1854 pelos relojoeiros Twarts and Reell, de Cherkenwell, não passando, portanto, de lenda Malakoff como relojoeiro.

A monumental porta do Arsenal de Marinha foi levantada ao tempo da guerra da Criméia, quando a tôrre de Malakoff era o principal baluarte de defesa de Sebastopol. Resistiu, durante meses, ao assédio dos exércitos francês e inglês. As notícias dos ataques e da formidável defesa chegavam aqui a espaço e talvez com exagero, por via marítima, a única de comunicação ao tempo. Aquela grandiosa obra, a maior para a época, tomava aos olhos dos recifenses, as proporções duma segunda Malakoff.

E o nome pegou e, pela fôrça da tradição, ninguém diz a tôrre do Arsenal de Marinha, porém invariavelmente a tôrre Malakoff.

Faço daqui um apêlo ao snr. Almirante Macedo Soares, para que não deixe de solenizar o centenário do monumento arquitectônico – na data de sua inauguração se esta for encontrada e ainda por vir, ou noutro qualquer caso, numa data da Marinha, - solenização a que deve associar-se o Município, pelo que de característico representa, pelo que de característico representa, para a cidade, a monumental tôrre.

Mário Melo

12.12.2008 - 22:32

Compre seu Kit Left Revolution!

Se você não é estudante do CFCH ou do CAC, não se procupe: seus problemas se acabaram! Chegou o Kit Left Revolution!

Agora você poderá ser um contestador social, um revolucionário, um justiceiro contra o perverso capitalismo sem sair de casa, e nem precisa ler o Manifesto comunista nem muito menos o Capital!
Maiores detalhes em:
http://www.youtube.com/watch?v=VKpcr0EtZZg

10.12.2008 - 00:07

De olho em Capitu

Abaixo um texto de Isabela Boscov, de Veja, sobre a minissérie Capitu produzida pela TV Globo, com direção geral de Luiz Fernando Carvalho. Quem assistiu hoje ao primeiro capítulo deve perceber a coerência das palavras de Isabela, pois - realmente - a 1a. impressão é da liberdade que buscou Carvalho para ser, ao mesmo tempo, fiel a um ousado e centenário romance que permanece atual.

AH, ESSES OLHOS…

Adaptada do romance Dom Casmurro e dirigida por Luiz Fernando Carvalho, a minissérie Capitu quebra convenções para melhor traduzir a obra-prima de Machado de Assis

As adaptações de livros de Machado de Assis (1839-1908) são numerosas no cinema e na televisão brasileiros. O que sempre andou em falta foram as adaptações que façam jus ao arrojo de forma e de temas que marcou a fase mais tardia da obra do escritor. Isso é o que ambiciona Capitu, a minissérie em cinco capítulos que a Globo exibe entre os dias 9 e 13. Dirigida por Luiz Fernando Carvalho, esta versão de Dom Casmurro, a célebre história da paixão e do ciúme escaldante de Bento Santiago pela bela Capitu de “olhos de ressaca”, é ousada por reproduzir o texto do autor praticamente na íntegra. E é mais audaciosa ainda na encenação: rodada na maior parte em um galpão, ela é totalmente livre. Os objetos de cena movem-se desimpedidos para lá e para cá, e casas e cômodos às vezes são apenas riscos no chão. O ator Michel Melamed, que faz o Bento narrador e o Bento protagonista na sua idade adulta, ronda como um fantasma, velho e curvado, os acontecimentos de sua adolescência e juventude, como se eles estivessem se passando de novo diante de seus olhos. O elenco veste um figurino que é uma versão expressionista da moda da segunda metade do século XIX, e interpreta em um estilo exuberante, adequado a um teatro (ou a uma ópera, que é como o narrador define a vida humana). A trilha sonora tem composições eruditas, mas também rock pesado e folk. Nas poucas ocasiões em que os atores saem ao centro antigo do Rio de Janeiro, as ruas não estão “maquiadas”: podem-se ver as pichações nas paredes e os carros passando. O resto em: http://veja.abril.com.br/101208/p_192.shtml.

09.12.2008 - 15:34

Diogo Costa e o “Cubo de Marx”

Não menos do que imperdível é este artigo de Diogo Costa, do Ordem Livre. As várias teorias (vazias) sobre um mesmo tema, como ele aventa com supostas escolas como paralelistas, dinamistas e neodinamistas, me fez lembrar o Gerador de Textos Pós-modernos.

(Renato Lima) 

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O Cubo de Marx, por Diogo Costa

Imagine um cubo de Rubik com sete cores. Os lados permanecem os mesmos seis, mas uma cor extra substitui sete ou oito dos 54 quadradinhos que compõem o cubo. Nesse Rubik de sete cores, não importaria quais quadradinhos coloridos você girasse, e em quais direções; enquanto houvesse mais cores do que lados, você nunca conseguiria resolver o cubo.

Agora imagine que esse cubo não fosse um objeto físico, mas uma teoria. Que em vez de ser manipulado manualmente fosse apenas manipulável intelectualmente. E que fosse tão encantador que sua investigação prometesse bastar para resolver todos os problemas existentes ou imagináveis do mundo.

Para aqueles que ignorassem o probleminha inicial da sétima cor, o novo cubo teórico de sete cores carregaria em sua absurdidade uma desafiadora atração. Como ele não pode ser resolvido, discussões sem fim poderiam ser travadas sobre o cubo. Teses poderiam ser escritas. Conferências apresentadas. Centros acadêmicos organizados. Com o passar do tempo, haveria escolas de pensamento com diferentes posições, e seus trabalhos lotariam bibliotecas. Os paralelistas diriam que o Rubik de sete cores apenas pode ser compreendido num universo de 10 ou 11 dimensões. Outros ofereceriam a análise dinamista. Afirmariam que a estaticidade final do cubo é uma idealização humana sem referências na práxis rubikiana, e que o verdadeiro cubo deve ser analisado em uma rotatividade ininterrupta e perene dos quadrados coloridos. Os neodinamistas, insatisfeitos, traçariam analogias tipológicas. O mais fantástico é que a impossibilidade intrínseca do cubo permitiria que suas investigações se estendessem interminavelmente. As possibilidades teóricas do Rubik de sete cores seriam limitadas apenas pela imaginação humana.

Várias teorias modernas são cubos de Rubik de sete cores. O marxismo é um cubo de Rubik de sete cores. Sua impossibilidade inerente pode distrair o intelecto eternamente num fascinante absurdo sem que uma solução para o problema real jamais se apresente. E sua sofisticação teórica consegue em sua própria exposição revogar a possibilidade de se fazer as objeções mais fundamentais.

Esse último ponto é aquilo que Eric Voegelin chamava de proibição do questionamento filosófico. “Somos confrontados”, dizia Voegelin, “por pessoas que, como sabem que suas opiniões não conseguem resistir a uma análise crítica, fazem da proibição do exame de suas premissas parte do seu dogma”.

Voegelin usa as obras de Comte, Marx e Nietzsche como exemplos de teorias em que alguma espécie de dogma proibitivo vem embutido. O marxismo não aceita questionamentos que disputem suas críticas à individualidade humana. Esse tipo de questionamento individualista seria uma abstração mental que apenas reflete determinado estágio tecnológico das relações de produção. Mas se são as condições materiais da vida social que determinam nossa consciência, nossa consciência fica impedida de questionar a fundação do determinismo social-materialista. Pior ainda, todo o questionamento fundamental do marxismo é descartado como se fosse a manifestação que prova a verdade marxista. O sujeito da indagação será o eterno objeto demonstrável do marxismo. O argumento ad hominem passa a satisfazer a necessidade por argumentos.

A analogia com o cubo não pode ir muito além com o marxismo porque não estamos falando de um objeto alheio à nossa consciência. Nós somos o cubo de Marx. E como sua teoria se propõe mais real do que a nossa experiência consciente, a confiança na teoria significa uma desconfiança em nossa consciência. O excesso de cores não seria assim uma falha do cubo, mas do nosso espectro ótico. Um daltonismo bem treinado pode revelar lados homogêneos no Rubik de sete cores.

Também a homogeneidade cósmica do marxismo pode ser revelada pelo treinamento de um daltonismo metafísico - um daltonismo cego aos questionamentos filosóficos que poderiam explicar o próprio daltonismo. A razão acaba sendo corrompida da mesma forma que o Rubik de sete cores poderia corromper os sentidos de seus especialistas mais dedicados. E a natureza política do marxismo transforma as diferenças de percepção em um embate ideológico violento. Afinal, em vez de um simples cubo, você é que precisa ser resolvido. E exatamente porque a solução é impossível, a manipulação ideológica sobre as pessoas pode prosseguir infinitamente, tratando cada resistência como prova da necessidade de maior manipulação. No final, o teórico que crê estar decifrando a conjuntura de Poincaré está apenas fazendo de sua consciência um brinquedo defeituoso e tirano.

08.12.2008 - 07:28

Seminário sobre Machado agita a Fundaj

A Fundação Joaquim Nabuco promove, em 9 de dezembro, o seminário AS ARTES DO BRUXO: MACHADO DE ASSIS ENTRE A LITERATURA E A HISTÓRIA, em alusão aos 100 anos da morte de um dos maiores nomes da literatura brasileira. O evento é uma ação integrada das Diretorias de Documentação(Didoc) e de Pesquisas Sociais(Dipes), por meio de sua Coordenação Geral de Estudos Ambientais e da Amazônia(CGEA). Entrada Franca.
 
O seminário acontece na Sala Calouste Gulbenkian, da Fundaj Casa Forte (av. Dezessete de Agosto, 2187). 

PROGRAMAÇÃO

Manhã

Hora: 9 horas

Solenidade de Abertura

Hora: 9h30

Conferência de Lúcia Granja, Doutora em Teoria e História Literária pela Unicamp, professora da Unesp

Hora: 10h30

Mesa-redonda:  “A obra em si é tudo”: leituras

César Leal, poeta e crítico literário

Raimundo Carrero, romancista

Nelson Saldanha, poeta e ensaísta

Coordenação: Luís Roberto da Silva, Projeto D. Helder Camara/MDA

Tarde

Hora: 14 h

Mesa-redonda: História e ficção

Anco Márcio, Doutor em Literatura Brasileira (UFPE)

Rafael Carrero, Doutor em Teoria da Literatura (UFPE)

Eduardo França, Mestre em Teoria da Literatura (UFPE)

Coordenação: Cristiano Ramalho, Doutor em Ciências Sociais pela UNICAMP (pesquisador-visitante da FUNDAJ/FACEPE/CNPq)

Hora: 15h15

Mesa-redonda: Vozes e visões de Machado

Cristina Botelho, Doutora em Literatura (FACHO)

Germana da Cruz, Mestre em Teoria da Literatura (UFPE)

Wilma Rejane de Almeida, Doutoranda em Literatura Brasileira (UFPE)

Coordenação: Paulo Gustavo, Mestre em Teoria da Literatura (FUNDAJ)

Inscrições gratuitas pelo site da Fundaj

Serão conferidos certificados aos participantes

Contato e realização

Fundação Joaquim Nabuco – Fundaj

Diretoria de Documentação (Didoc) – Fone: 81-3073-6529

e-mail: documentacao@fundaj.gov.br

Diretoria de Pesquisas Sociais (Dipes), por meio de sua Coordenação Geral de Estudos Ambientais e da Amazônia (CGEA) – fone: 81-3073-6494

07.12.2008 - 09:26

Seja sensato. Não escute Lula.

Uma reflexão após a passagem do presidente Lula por Recife (dias 1 e 2 deste mês) e sua pregação temerária para que todos consumam. Publicada no Jornal do Commercio de hoje:

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Sobre maus conselheiros
Publicado em 07.12.2008

Renato Lima

O presidente Lula está pregando incessantemente que o brasileiro consuma para evitar a crise. De acordo com o mandatário maior, quem deixa de comprar por medo de perder o emprego, disse o presidente durante visita ao Recife na segunda e terça-feira, não percebe que ao deixar de consumir está justamente provocando a sua demissão. A lógica é canhestra, mostra que o governo ainda trata um assunto sério como se fosse uma trivialidade e agora optou por transferir a culpa da crise para o cidadão comum.

O Brasil é afetado diretamente pela crise por várias vias. A desvalorização do câmbio aumenta o preço dos produtos importados e repercute na inflação. A queda no preço das commodities diminuirá as exportações brasileiras. Só a Vale do Rio Doce já demitiu 1.300 pessoas e colocou outras 5.500 em férias coletivas. Está tão difícil conseguir crédito que até a Petrobras teve que recorrer a bancos públicos para tocar o dia-a-dia de suas operações. A brutal queda da Bolsa de Valores diminuiu a riqueza de inúmeros pequenos investidores e barrou, pelo momento, a entrada de novas empresas na bolsa, que era uma forma barata de financiar expansão.

Sim, a crise chegou ao Brasil. O impacto varia de setor para setor, mas existe. Somado ao fato de que continuamos um país difícil para se fazer negócios, com um governo ineficiente e que pune o empreendedorismo com uma das maiores tributações entre os países em desenvolvimento, é preciso cautela com o futuro. Tudo o que o governo não prega.

Nos primeiros sinais de crise internacional, Lula, o otimista, duvidou que ela chegasse ao Brasil. E, se aparecesse por aqui, seria uma “marolinha”. Também se gabou de ter ligado para (George) Bush e “mandado” que ele resolvesse a crise. Agora que os sinais estão claros e setores começam a demitir, vemos uma mudança de análise, mas ainda distante do bom senso. O presidente encontrou um novo personagem a culpar: você, consumidor, que ainda paga as maiores taxas de juros do mundo, enfrenta uma carga tributária de país desenvolvido, trafega em estrada esburacada. “Se” a crise chegar ao Brasil, já diagnosticou Lula, a culpa será sua, que parou de consumir.

Pois seja sensato. Poupe. Guarde para a posteridade. Não dá para confiar no SUS ou no INSS. O governo não vai pagar sua fatura de cartão de crédito ou o seu condomínio. Mas estará sempre lá para retirar os impostos, mesmo daqueles que pouco podem contribuir, para sustentar a burocracia e a ineficiência estatal – ressalvando pontuais excessões. A maior “bolsa” desse governo não foi a Bolsa-Família, mas a “funcionário público”. Estes estão imunes à crise, pois possuem estabilidade e salários crescentes. O restante corre o risco de perder o emprego e ainda ficar devendo – se seguir o conselho de Lula.
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E por falar em Sílvio Meira, há um post interessante no blog dele sobre os efeitos da aposentadoria na saúde física e mental. Reproduzo uma observação acertada:

“o que não deixa de me surpreender é, aqui e acolá ver alunos e ex-alunos entrando no “serviço público” porque “o trabalho é leve”, “o emprego é estável” e a “aposentadoria é mais cedo e integral”!… o que até compensa baixos salários, quando é o caso, porque vez por outra estamos falando de salários mais altos. que entrassem no serviço público para fazer o que o nome diz, servir ao público, transformar as “repartições” em verdadeiras instituições públicas, a serviço principalmente dos excluídos… mas porque querem, alguns, de fato, se aposentar, filosoficamente, já hoje, quando ainda são crianças!… há algo profundamente errado num mundo onde pessoas de 25 anos estão pensando em empregos estáveis, e não em trabalho arriscado, quando o país é o brasil… se nem a frança vai subsistir aos seus jovens querendo tudo a troco de nada [e lá há o que dar], imagine-se aqui, onde falta tudo e, a muitos, ânimo para mudar o país!… sei não…”

(Renato Lima)

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