17.11.2008 - 09:36
O Google e um bom blog
Para quem gosta de marketing e internet, reproduzo abaixo uma matéria minha sobre a máquina Google de fazer dinheiro. Aproveito o post para comentar a interessante descoberta do blog do Rodolfo Araújo. Ele escreveu para comentar o post sobre “Crise financeira, crise de jornalismo” e recomendar artigos sobre as idéias de Nicholas Nassim Taleb. Visitando o blog descobri vários textos interessantes sobre inovação, estatística, resultado das intervenções governamentais (como a meia-entrada) entre outros.
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»TECNOLOGIA
Google, uma máquina de fazer dinheiro
Publicado em 16.11.2008
Renato Lima
A empresa que revolucionou a experiência de se procurar informações na internet é também uma excelente máquina de fazer dinheiro. Apesar de quase nunca cobrar pelos seus serviços ao usuário final, o Google nasceu no período pré-bolha da internet, mas conseguiu unir avanço tecnológico e visão comercial. Até a metade deste ano, as receitas da empresa foram de US$ 10,5 bilhões, com lucro líquido de US$ 2,5 bilhões.
O Google surgiu a partir do trabalho de dois estudantes universitários de computação em Stanford, Larry Page e Sergey Brin. Page resolveu aplicar a mesma lógica utilizada em citações acadêmicas para a busca na internet – colocando um ranking de qualidade aos sites mais citados, ou de forma mais apropriada para o mundo online, que recebem mais links. Brin ajudou na formação de um algoritmo de procura e então estava nascido o coração da busca Google. Com a ajuda de um grande empresário, nasceu a empresa ainda antes do estouro da bolha da internet, no início da década.
A partir de 2000, o que já era um bom sistema de busca, tornou-se muito lucrativo também. O Google começou a vender palavras-chaves para anunciantes, que queriam aparecer na procura de determinados tópicos buscados pelos usuários. Digamos que um usuário digite pizza no Google Brasil. O resultado são 184 mil links, com sites de pizzarias, receitas e muito mais. Do lado direito da busca, há um local chamado “Links patrocinados”, com venda de forno para pizza e serviço de buffet. Quem clica aí dá dinheiro para o Google. A empresa anunciante, por sua vez, só paga quando alguém clica no link. Um curso específico sobre este sistema será ministrado no Recife, dia 26 a 28 deste mês, pela Softredes (www.softredes.com.br/google).
O sistema de e-mail Gmail lê o texto dos e-mails que os usuários recebem e seleciona anúncios relevantes ao lado. Um exemplo: para um e-mail de um amigo contando sobre uma viagem, os anúncios ao lado sugerem clicar para conhecer “Resort de luxo em Búzios”, “O melhor seguro viagem” e “Sua viagem pela TAM”. A chance de um usuário que já está lendo sobre o assunto clicar é ainda maior. E isso impulsiona os resultados do Google. Por outro lado, grupos de defesa da privacidade na internet não gostam da ferramenta intrusiva, mas pouco podem fazer se ela se torna popular.
Esse sistema de anúncio interno limitaria a capacidade do Google em vender publicidade ao seu número de visitantes – ainda que este já seja elevado. Então o Google partiu para fechar parcerias com outros sites, tornando-se uma grande empresa de publicidade virtual, com o sistema chamado Adwords. Ao contrário de outras formas de publicidade, mais difíceis de serem mensuradas, o clique num link patrocinado quase sempre é de clientes interessados no assunto. De acordo com os resultados financeiros do segundo trimestre deste ano, 66% das receitas da Google são das vendas de anúncios em sites próprios, e 31% de anúncios gerados a partir de sites parceiros. E estes podem ser desde grandes portais a blogs pessoais.
Em agosto de 2004, quando o mercado já havia se recuperado do baque nas bolsas, a Google abriu o capital, levando, imediatamente, jovens funcionários ao status de milionários com a valorização das ações. As ações chegaram a subir sete vezes o valor do preço inicial, com o pico sendo atingido no final do ano passado. Atualmente, os papéis da Google (cotação GOOG, na bolsa eletrônica Nasdaq) é comercializado por cerca de US$ 300.
Além do dispositivo de busca e o e-mail Gmail, administra ainda o serviço de localização Google Maps e Google Earth, o serviço de anúncio Adwords, o relatório de visitas Analytics, o serviço de busca dentro de livro Google Print, a rede de relacionamento mais popular no Brasil, o Orkut, entre vários outros serviços. São 19.604 funcionários em tempo integral que constam na folha salarial da empresa, até julho deste ano – dos quais, 200 são do escritório brasileiro, inaugurado em 2005. O que ela não desenvolveu, a empresa compra, como é o caso do popularíssimo site de vídeo online You Tube.
O fantástico mundo do Google mostra que é possível aliar soluções inteligentes, serviços gratuitos ao usuário final e publicidade de resultados. O grande desafio, agora que a economia entra em crise, é saber se este modelo se mantém se os anunciantes se retirarem. Mas quem sobreviveu à primeira bolha da internet tem mais experiência em administrar crise.
(Renato Lima)