26.07.2008 - 16:17
Na ponta do poema
Enviado por Máua Levi de Santana
A gente cresce, sente, pensa e chora. Entorpece.
Ainda tenta, luta, mas cansa e colga na esperança.
Descobre a espera que apodrece, irrita e rouba,
e fica o medo, sobra raiva, e não descansa.
Vem da revolta a ida à luta, a busca às armas;
pensão ensina o soldo a soletrar a rebeldia.
Ao pé da letra, condão explode com as paixões
e no afresco da utopia: a tinta contra a hipocrisia.
A Pena, a tinta, o papel, a pátria em mente
para estancar o alvoroço e o luxo ao arrepio;
cessar a páscoa no bordel do sujeito oculto,
os regozijos, a abstração no viés que infesta.
O status quo outorga ao réu insólita franquia
e é infausto pleito apor substantivo à locução.
Nas orações subordinadas, aberração descritiva
de estado assindético: o teor que a casa empesta.
No castelo do gentio não habita o pecado
- inocência é imputável ao que jaz sem saber -
abre a janela, avista o lago - nem acredita! -
mas é o saber que retira o perdão de ser.
Se no altar do usual, ou nos braços da fama,
no quorum da lama, ou no voto contado,
fizer a cama e rachar dobrado, existe o pecado
e expiar o pecado, é um direito que clama.
No ecoar das mentiras toda excelência é virtual.
Virtude é barrada nas casas e no comportamento.
Perversa e medonha fúria no corpo do regimento.
Se o dilema é gente, justiça é cena, o que vaza é mal;
a celebridade é um caos, achaques e só faz-de-conta,
o fim do poder plenário no voto da pena: a ponta.